quinta-feira, 11 de março de 2010

Do que perdemos

Às vezes tenho vontade de ficar 24 horas por dia de olho no meu filho. Entraria com ele na escola, daria o chamego de despedida, me transformaria num mosquitinho, e ficaria quietinha num canto da sala, vendo com quem ele conversa, sobre o que conversa, do que brinca, do que ri.
Como isso não é realizável – e nem bom para a saúde mental de ninguém –, tenho que me acostumar com a ideia de que grande parte da vida do Gabriel será sempre uma incógnita para mim. Pior: com o passar dos anos, essa parcela tende a aumentar cada vez mais.
Já vão longe os tempos em que eu ficava com meu bebê de dia e de noite, praticamente sem sair de casa, eu de licença maternidade e ele sem saber que existia um mundo lá fora.
Hoje ele já brinca sozinho na rua com os amigos e diz “pode ir, mãe” quando chegamos na sala de aula. Daqui a alguns anos, vai sair de noite com os amigos e eu sequer vou saber ao certo por onde ele andará.
A mim, só restará aceitar que “criamos os filhos para o mundo” ou tentar colher alguma informação extra, como fiz ontem:

- E o lanche coletivo, filho?
- Foi bom.
- Os amigos gostaram?
- Sim.
- Gostaram do sanduíche?
- Gostaram.
- E da gelatina?
- Mãe, não ta vendo que não sobrou nenhuma?! Agora chega de tanta pergunta!...

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